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Greve Dos Funcionários do Metrô e CPTM: Liberação das Catracas ou Paralisação Total?

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Há a ameaça de greve na CPTM e no Metrô, em SP. Há duas opções, ou greve com tudo parado, ou a liberação das catracas e o funcionamento normal dos trens. Eles têm seus motivos e seus objetivos, mas o que eu queria falar se refere às duas opções: parar tudo ou liberar as catracas.

É óbvio que para os usuários, os trabalhadores, parar o serviço completamente não seria uma boa ação. Perderiam seus dias de trabalho, teriam que justificar suas faltas, ou então, teriam que se locomover de outra forma, talvez com ônibus (o que causaria superlotação dos mesmos), talvez de automóvel próprio (o que causaria engarrafamento nas vias mais movimentadas). Mas, mesmo assim, liberar as catracas teria uma ação somente contra as empresas responsáveis pelos trens. O protesto não teria caráter mais geral, não seria uma greve relacionada com o próprio sistema econômico, mas sim, uma greve de “empregados da empresa X” e de “empregadores da empresa X”.

A greve, desta forma, absorveria o sistema econômico que dá aval para os abusos das empresas, o legitima e regulariza. A questão, então, se coloca somente como um aumento de salário, mas não como uma luta relacionada a certos paradigmas da relação empregador e empregado (por exemplo, a necessariedade desta relação). Não se coloca em cheque o próprio sistema, parece ser difícil admitir que para haver qualquer tipo de transformação um pouco mais profundo através das greves, é necessário uma mudança nas relações sociais de produção e nos caminhos da própria administração estatal.

E o outro lado? E a paralisação total? Nesta ação, os trabalhadores dependentes dos trens não conseguiriam chegar aos seus trabalhos, ou sofreriam um pouco mais para tal. A cidade seria um caos nas vias movimentadas ou seria um caos nas empresas vazias. Desta forma, a greve com paralisação total não teria efeito somente na empresa em que ela começa, a paralisação dos serviços também englobaria boa parte de outras empresas, onde os trabalhadores dependem dos trens para chegar, além de causar um pequeno caos na cidade, pelo abarrotamento de carros ou de usuários de ônibus. De qualquer forma, uma desordem geral tomaria conta dos horários com movimentação alta e deixaria algumas empresas sem parte de seus empregados.

O caráter da greve não se limitaria à luta vã contra o empregador, mas se estenderia à luta com a própria lógica do empregador – que engloba os outros empregadores e a conjuntura estatal. E é por isso que os grandes jornais não relatam as greves como formas de exigir mudança na esfera do trabalho, eles as expõe como causas de um grande caos urbano que, diga-se de passagem, estaria sempre sendo controlado pelas políticas da administração pública. A grande sacada dos grande jornais, dos grandes meios de publicação de notícia é valorizar o indivíduo.

O supremo indivíduo deve ter sua liberdade para ir ao seu trabalho, não precisa ser afetado pela greve; desta forma, a greve se limita à ações restritas, delimitadas por uma suposta liberdade do outro. Entretanto, a questão da greve não é a felicidade do indivíduo, não é a satisfação dos objetivos de cada indivíduo. Deste ponto de vista, o indivíduo não importa, o que importa é aquilo que a greve pode causar dentro do sistema sócio-político-econômico que determina as relações entre os indivíduos – este, por sua vez, não detém a liberdade propagada pelos meios de comunicação.

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Sobre Vinicius

Fascista desde criancinha.

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