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Tentativa de Refundar o ARENA – Não é Trollagem

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A tentativa de refundar o ARENA tem como pilar argumentativo que não há direita no país e que aquilo que foi feito na ditadura militar não era atividade do partido, mas das pessoas que foram eleitas e estavam no poder. Em outras palavras, não foi o partido que torturou, foram pessoas físicas.

Todo o restante do discurso conservador-nacionalista de atividade moderada, de virtude da via-média, também está incrusto nas entrevistas da líder dessa tentativa torta de recriar uma direita de verdade – assim como a maioria das ações da direita, esquecendo do anacronismo conservador em relação aos problemas sociais atuais.

Não haver direita no Brasil é quase como cuspir pro céu e ficar esperando a meleca voltar para a testa. Os centristas e liberais que a nova iniciativa recusa não são considerados de direita: a direita de verdade “honra pai e mãe”, estupra o trabalhador brasileiro, mesmo, não aguenta a intromissão de outros estupradores nascidos em diversos países já bem desenvolvidos. Valorizar o que é nosso, valorizar o conservadorismo feito em casa.

Mas eu considero como mais engraçada a tentativa de livrar a ARENA de qualquer responsabilidade por ações da ditadura, por ser somente um partido, não o executor – “partido faz política”. Se no bipartidarismo a ARENA era a representante da ditadura, como se faz para desvencilhar as ações da própria ditadura com sua representante na pseudo-democracia bipartidária? Este argumento é espetáculo, pois afasta a relação direta e prática existente em o partido e os indivíduos que são autorizados para executar o que quiserem sob seu manto.

É uma tentativa de fazer da política uma abstração, onde o político só é responsável por si e o partido só pelo seu nome. Desta forma, o partido não existe, o que existe são pessoas. Nada mais idealista, pois o partido é um centro de poder e organização que coage e organiza seus membros para determinados fins. Para atender seus interesses. O partido não existe como forma física, mas existe como organização, existe como centro de coação e união, existe como fortalecedor de ideais e como fonte de propaganda. O partido ainda é colado em seus membros.

Os membros do partido só o são por serem “uno” em suas ações sob o nome do partido – o partido se expressa através de seus membros e exatamente por isso pode expulsá-los caso não ajam de acordo com seus pressupostos. A tentativa de criar um afastamento entre o partido e os membros é a mesma tentativa de desligar a teoria com a prática, é noção de que o mundo muda se as pessoas pensarem de forma diferente, é a separação da matéria e da consciência tanto criticada por Marx na Ideologia Alemã.

Este afastamento ainda é uma forma de ligar os acontecimento da ditadura não como uma ação social, mas como uma ação promovida por um poder pessoal pseudo-neutro (no sentido de não pertencer à nenhuma sigla). A relação se fixa na personalidade autoritária que, supostamente, promoveu por si todos os ocorridos na ditadura – deixando de lado toda a estrutura política e toda a coerção social exercida pelos aparelhos repressivos além de toda a propaganda reproduzida pelos aparelhos ideológicos estatais. Se um líder morre, há outro, pois está tudo ligado estruturalmente (estava, né).

Desta forma, a separação Partido Vs Executores não é válida, não possível de argumentação legítima, é pura ideologia, tentativa de retirar do partido a sua responsabilidade no controle de figuras para eleição, propaganda eleitoral e representação formal da própria ditadura.

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Sobre Vinicius

Fascista desde criancinha.

»

  1. falou , falou , falou e não chegou a lugar nenhum .

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