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Duas Ações Diretas Da Globo Perante As Eleições Municipais de SP

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Novamente ficou fácil de ver a posição política do aparelho midiático – não como um todo, mas sim em sua maior expressão, que é a rede Globo, por dois motivos: a proposta de cobertura de eleição na cidade de São Paulo com foco somente nos dois primeiros colocados das pesquisas (José Serra – PSDB e Celso Russomano – PRB) e a inflexibilidade em relação aos prazos para apresentação de propaganda política, que o PT entregou 9 dias atrasado do prazo determinado.

Em relação à proposta de cobertura somente dos dois primeiros colocados, não há muito o que dizer: ambos são farinha do mesmo saco (não que o terceiro não tenha seu punhado de farinha espalhado pelo corpo, mas ele é uma oposição virtual à Serra). É muito confortável e conveniente promover uma disputa democrática valorizando os dois candidatos mais bem colocados quando ambos não representam nada contra os interesses que a emissora se alinha.

Desta forma, podemos ver como a emissora trabalha realizando uma “censura” no conteúdo apresentado por seu monopólio. Na verdade, o fato da Globo ser a emissora líder no país lhe dá um monopólio supostamente não-monopolista, mas que, na prática, ainda é monopólio. Ela ainda é centro de poder da informação. Ainda tem o poder de expressar aquilo que é supostamente importante de ser expressado. A censura estaria, por exemplo, em não noticiar as greves na federais em programas de grande audiência. É uma “livre-escolha”, na verdade, pautada no poder de apresentar a notícia que quiser, por ser uma empresa privada.

Isso só já demonstra a pseudo-neutralidade da mídia que, por ter interesses, já perde qualquer imparcialidade. Eu creio que é interessante que, conforme Debord diz na Sociedade do Espetáculo ao criticar a ideologia revolucionária, onde a burocracia se esconde como classe e tem como característica não se fazer existente, a própria mídia se faz como neutra em relação às notícias e se faz como um registro do real, puro e não-ideológico. É uma força para se manter ainda como uma cobertura imparcial do real – que, na verdade, é o ideológico.

A segunda artimanha é incrivelmente legítima. Isso mesmo, legítima. Essa legitimidade que salta aos olhos, pois não é um problema prático. Todas as outras emissoras aceitaram a propaganda fora do prazo, seja lá qual for o motivo de estarem fora do prazo, mas a rede Globo manteve-se firme à lei. O que não seria novidade, já que essa lei que a emissora se mantém firme, é uma lei que a convém. Pra que fazer “caridade” quando o mendigo é alguém que detestas? Digo, qual a razão de dar essa colher de chá ao PT?

Nessas horas a democracia se mostra como pressupostos de lei, não como prática democrática.

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Sobre Vinicius

Fascista desde criancinha.

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