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O Esforço Em Ser Patológico

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No dia da apresentação do curso que me matriculei, isso há um ano, o professor falou sobre as possibilidades de um especialista em sócio-psicologia e apontou uma contradição na forma de perceber as coisas atualmente: o indivíduo como o único responsável por sua felicidade, como se vivesse sozinho no mundo (esta visão é propagada em grande escala por livros e palestrante de auto-ajuda empresarial pseudo-existencial); e o indivíduo como nunca responsável por si, já que a biologia explica o por que de determinadas ações como exterior à consciência do agente: até mesmo o roubo pode ser justificado por algum gene em específico. Basta citar que não é visto com estranhamento em roda de conversa nenhuma.

Depois de ver tantas “lutas de doença” – vocês sabem, quando duas pessoas, normalmente idosos, começam a fazer uma disputa verbal sobre quem é mais doente. É legal que, normalmente, eles nem sabem que estão disputando uma posição superior na hierarquia, com esta disputa e que o vencedor da disputa, no fim, é o que está mais perto de comer capim – a gente começa a pensar se ser mais doente não teria uma função latente para firmar o sujeito em uma posição de “vida sofrida”, que, por sua vez, justifica toda uma vida de não satisfação das exigências do super-ego e da inalcançabilidade do Ideal de Eu.

Aí, quando qualquer comportamento é patologizado, já podemos ter certeza que a ordem vigente está se hegemonizando: está criando argumentos para se firmar como verdade imutável, afinal, não se muda uma determinação genética, não se culpa um doente e etc e etc. Se não se muda a genética, então qualquer comportamento padrão atual, qualquer um que manifeste alguma relação de dominação, como aqueles que reproduzem o racismo, são colocados como uma “coisa” imutável, que está na entranhas do organismo biológico – a ação pára de ter um significado social e somente sua “neutra” (bote muitas aspas) e fria interpretação biológica dita as regras.

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Sobre Vinicius

Fascista desde criancinha.

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