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O Senhor Das Moscas – Autoridade Sem Reconhecimento Não É Nada

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O Senhor das Moscas é um filme que trata da formação de uma “sociedade” por um grupo de crianças em uma ilha não-habitada. Na formação desta nova sociedade organizada pelas crianças, a primeiro momento, permanece um modo democrático de “governar” a sociedade, pelo líder escolhido (Ralph). Entretanto, e é o que me interessa, num dado momento há a separação desta sociedade em duas – uma nova criada por um dos opositores do líder (Jack).

Jack se rebela contra as regras da proto-sociedade democrática formada no filme, se rebela contra Ralph e forma uma nova sociedade com os membros que não se sentiam representados/seguros sob os comandos democráticos de Ralph.

Poder Como Relação

O que eu acho fascinante aqui é a forma como evidencia que a autoridade/poder não é algo imanente a uma coisa, mas é, por sua vez, uma relação, ou um conjunto de correlações num dado momento histórico-social. Podemos ter representantes da autoridade/poder, como os líderes, mas, caso não reconhecidos como tal, igual no Senhor Das Moscas, sua atribuição não vale de nada.

O líder só é líder quando reconhecido como tal, pois, quando não é, suas ordens não são aplicadas – a não ser que tenha um aparelho repressivo a sua disposição, então, desta forma, se colocaria uma ação dentro das correlações de poder, já que, ao não receber o reconhecimento dos liderados, o líder precisa utilizar da violência (seja ela qual for) para ser obedecido. Em nossa sociedade, a detenção da propriedade privada é um dado que estabelece a tendência das relações de poder, que faz das estratégias de poder pautadas na propriedade mais eficientes que outras, pautadas na camaradagem, por exemplo.

Foucault – Pensador da Teoria do Poder

Ruptura

Quando o líder não tem escapatória, quando percebe que não está em posição favorável nas malhas do poder, sua atitude tende a ser ou esquizofrênica, ou consentida com sua nova posição.

Aquilo que permite que a posição do líder seja uma posição de poder é ele ter o aval de seus “inferiores”. Este aval geral estrutura aquilo que Durkheim chamava de consciência comum, que não é um ser ontológico, mas sim a força coercitiva do reconhecimento mútuo do poder do líder (neste caso) pelos indivíduos que se submetem a ele. É a construção de uma lógica onde o próprio oprimido transmite para seus iguais a subserviência, pois ele próprio exerce o poder (mesmo sendo, este poder, localizado de forma a não favorecê-lo) sobre eles.

 

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Sobre Vinicius

Fascista desde criancinha.

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