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Arquivo da categoria: critica social

Crimes de Gênero Atuais

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Como bem lembrou Maíra, do site Território de Maíra, é necessário lembrar que a relação dos crimes contra mulheres dos últimos anos está na relação de dominação entre gêneros. Não são crimes comuns, aleatórios, cotidianos (não levem a mal), mas são, isso sim, crimes que tem como condição de possibilidade uma sociedade machista.

São crimes que acontecem não por que os indivíduos que o cometeram são “maus”, mas sim, por que a sociedade em que vivemos forma sujeito como estes. Que o machismo é estruturante, que ele não é fruto individual de uma ação errada, mas de fruto coletivo de uma reprodução de estruturas de dominação em diversas esferas da vida. Tratar esses crimes como espetáculo é esquecer que eles não são roubos de galinha, mas são, por sua vez, uma sociedade machista se expressando como tal.

Eliza Samúdio, Mercia Nakashima, as mulheres na índia, no oriente médio, nos grupos cristãos fervorosos, todas elas são vítimas de um sistema que não dá chance para oposição.

Oposição Comunista x Capitalista

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Em conversas cotidianas, conversas com populares, estudantes, trabalhadores especializados ou não, é comum notar, quando se toca no assunto, é claro, que a oposição comunista x capitalista norteia o significado destes dois termos, de maneira que um é aquilo que o diferencia do outro. Como se fossem análogos, mas com sentido inverso. Isso se reflete em comentários como “Se é comunista, por que trabalha?”, “Por que tem casa própria?” e etc. Mas o que eu queria argumentar é justamente que esta oposição não existe.

O Típico Garoto Pera-Com-Leite Que Manda As Gafes Do Primeiro Parágrafo

Categorias De Análise

Se pararmos para pensar, perceberemos que a oposição em que uma sociedade de classes se constrói, pautada no sistema econômico, é entre proletário x capitalista. Sendo este o detentor dos meios de produção e aquele o possuidor somente de sua força de trabalho que, portanto, precisa vender para conseguir sobreviver numa sociedade capitalista. Proletário e capitalista são duas posições possíveis na estrutura econômica capitalista atual – Mas comunista não é; comunista é uma posição possível em uma estrutura política, quero dizer, ser comunista é relacionado à ação política, à ações que manifestamente corroboram com um ideal de sociedade comunista.

Dentro da estrutura política é mais razoável colocar a oposição entre direita x esquerda, estando na esquerda o comunista, anarquismo e etc, e na direita o liberalismo, conservadorismo, social-democracia e etc.

Desta forma, se tentarmos junta tudo em uma análise político-econômica, chegaríamos num sistema de posições possíveis onde Engels seria classificado como capitalista (já que era detentor dos meios de produção) e comunista (por sua vida política). Não é gafe definir Engels como comunista, assim como, se obedecermos o rigor da classificação, também não será gafe coloca-lo na trupe dos capitalistas.

As Possibilidades Da Estrutura

Ao dizer que Engels foi uma capitalista comunista, eu também posso dizer que não é possível ser uma proletário capitalista, por que estas duas posições dependem uma da outra para existir – formam um sistema onde se definem exteriormente, pela diferença com os demais. Dentro do sistema econômico, as classificações lá contidas são excludentes, não se confundem, mas podem mesclar-se com as classificações de outros sistemas, como do político.

O Comunista Capitalista

O que restringe, na verdade, diminui a probabilidade de se encontrar mais capitalistas comunistas é a complexidade da vida social – ela não é fria e racionalizada, não é um grande cálculo – há outras coisas em jogo, há todo um capital simbólico que flui e se acumula em torno de ações de cunho moral, por exemplo. A honra, a hipocrisia, a dignidade, o trabalho (enquanto valor) são forma de acumular ou denegrir capital simbólico. O que não leva um comunista a ter planos futuros de ser o diretor de uma indústria de carvão é a contradição que isso expressa simbolicamente – é o fato de que a responsabilidade do diretor de empresa é reproduzir e segurar um sistema de desigualdade. Ele (o diretor) é uma das autoridade neste aspecto.

Entretanto, não se deve ficar iludido, pois se se está dentro de uma sociedade capitalista, não há como fugir da sua lógica auto-reprodutora. Por isso que somente uma revolução poderosa pode inverter as relações sociais, por que, no cotidiano, elas se reafirmam continuamente.

Presidente Pastor Na Comissão De Direito Humanos?

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Marco Feliciano

A possibilidade de haver um pastor evangélico – Marco Feliciano – na presidência da Comissão De Direitos Humanos assusta. Não se trata de perseguição religiosa: o negócio é factual; qualquer forma de luta LGBT é taxada como luta por privilégios de uma parcela minoritária da população. Como uma parcela minoritária pode exigir privilégios? – Pensa o pastor.

Democracia ou Ditadura da Maioria

Me parece que, para o pastor, democracia é sinônimo de ditadura da maioria. Como se democracia fosse uma enquete onde a opção mais votada ganhasse em detrimento de todas as outras. Como se, caso feito um plebiscito sobre homossexualidade e caso o resultado fosse algo “inesperado”, a rebaixando como algo horrível que deve ser evitado, o Estado tivesse a obrigação legitimada pelas massas de fazer de qualquer forma de afeto entre mesmo sexo um ato contra a lei.

A lei se tornaria a moral e os bons costumes. Por que, vejamos, quando uma população de pensamento coletivo formado precisa votar a respeito da dominação da parte de um grupo hegemônico, é óbvio que a votação acabaria, na maioria das vezes e quanto mais extremo mais certo seria, numa conclusão conservadora.

Uma Maioria Definindo Sua Vida

A dominação se coloca de forma que não consegue ser vista como dominação de maneira fácil. Ela se disfarça; se fantasia como algo que deve ser assim por que os princípios mais racionais vigentes assim determinam. O povo é estruturado com esses princípios, como achar que uma votação indicaria o contrário?

Se a vontade é de fazer uma democracia de verdade, então é necessário atender à todas as demandas de forma que não prejudique nenhum grupo envolvido.

Ofensa Moral

Mas chegamos num ponto irreconciliável. Para a posição clássica cristã conservadora, exibições de afeto por casais homossexuais já é uma ofensa, afinal, todos precisam ter moralidade e moralidade é “você entrar com seu filho dentro do shopping center ou em qualquer lugar e não ver dois homens de barba se agarrando na sua frente”.

Moralidade é “respeito à família, é o respeito que eu aprendi com meus pais”. Mas qual é validade dessa frase? O que valida aquilo que qualquer um aprendeu com nossos pais? Eu aposto que os senhores de escravos aprenderam com seus pais que o modelo capitalista-escravocata era um ótimo modelo de modo de produção.

Tudo isso é embasado em um imperativo moral arbitrário e globalizante. Que não se contenta em ser aplicado num sujeito, mas que faz o sujeito ter que reproduzi-lo por meio da força (principalmente por violência simbólica). Digo, é aquela coisa, você pode ser um idiota (e o fato de haver a possibilidade legítima de ser idiota não retira a idiotice da coisa), mas, caso vá se pautar em conjunturas democráticas, terá que, necessariamente, não obedecer algumas regras de sua crença.

O Senhor Das Moscas – Autoridade Sem Reconhecimento Não É Nada

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O Senhor das Moscas é um filme que trata da formação de uma “sociedade” por um grupo de crianças em uma ilha não-habitada. Na formação desta nova sociedade organizada pelas crianças, a primeiro momento, permanece um modo democrático de “governar” a sociedade, pelo líder escolhido (Ralph). Entretanto, e é o que me interessa, num dado momento há a separação desta sociedade em duas – uma nova criada por um dos opositores do líder (Jack).

Jack se rebela contra as regras da proto-sociedade democrática formada no filme, se rebela contra Ralph e forma uma nova sociedade com os membros que não se sentiam representados/seguros sob os comandos democráticos de Ralph.

Poder Como Relação

O que eu acho fascinante aqui é a forma como evidencia que a autoridade/poder não é algo imanente a uma coisa, mas é, por sua vez, uma relação, ou um conjunto de correlações num dado momento histórico-social. Podemos ter representantes da autoridade/poder, como os líderes, mas, caso não reconhecidos como tal, igual no Senhor Das Moscas, sua atribuição não vale de nada.

O líder só é líder quando reconhecido como tal, pois, quando não é, suas ordens não são aplicadas – a não ser que tenha um aparelho repressivo a sua disposição, então, desta forma, se colocaria uma ação dentro das correlações de poder, já que, ao não receber o reconhecimento dos liderados, o líder precisa utilizar da violência (seja ela qual for) para ser obedecido. Em nossa sociedade, a detenção da propriedade privada é um dado que estabelece a tendência das relações de poder, que faz das estratégias de poder pautadas na propriedade mais eficientes que outras, pautadas na camaradagem, por exemplo.

Foucault – Pensador da Teoria do Poder

Ruptura

Quando o líder não tem escapatória, quando percebe que não está em posição favorável nas malhas do poder, sua atitude tende a ser ou esquizofrênica, ou consentida com sua nova posição.

Aquilo que permite que a posição do líder seja uma posição de poder é ele ter o aval de seus “inferiores”. Este aval geral estrutura aquilo que Durkheim chamava de consciência comum, que não é um ser ontológico, mas sim a força coercitiva do reconhecimento mútuo do poder do líder (neste caso) pelos indivíduos que se submetem a ele. É a construção de uma lógica onde o próprio oprimido transmite para seus iguais a subserviência, pois ele próprio exerce o poder (mesmo sendo, este poder, localizado de forma a não favorecê-lo) sobre eles.

 

Ideologia Mediando A Hierarquia

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Um plano linear de carreira que nos faz esquecer que cada legenda representa uma posição na estrutura de trabalho e não você, indivíduo trabalhador. Portanto, a posição fica, mesmo após você deixá-la.

Há uma coisa que eu via muito com meus antigos companheiros da faculdade – eu fazia um curso voltado totalmente para a indústria e a indústria é, obviamente, marcada por hierarquias muito bem formalizadas e claras – eles sempre reclamavam da posição que ocupavam na hierarquia (todos eramos trabalhadores das primeiras linhas da hierarquia, assistentes administrativos, trabalhadores de linha de produção, manutenção, assistentes de laboratório e etc).

Reclamar da posição que se ocupa é um direito muito legítimo. Realmente, não há nada pior do que realizar trabalho robotizado ou burocrático incessantemente e, ainda por cima, ser subjugado e dominado por um chefe que, no fim das contas, não tem esse direito por natureza, como parece ser. Mas o que me deixava receoso era o final da reclamação: no fim, sempre havia a esperança, a utopia, o plano futuro da situação ideal de trabalho; este plano era tornar-se um chefe.

Manutenção da Hierarquia

Uma das funções da ideologia é inculcar estruturas hierárquicas de forma que pareçam naturais, imutáveis. Essas estruturas retiram o conteúdo humano da relação de trabalho e faz se tornar uma relação de trabalho mediada por uma coisa, por uma imagem, ou seja, por uma estrutura opressora imutável.

É tudo questão de escolha?

Desta forma, o antagonismo é disfarçado, fantasiado, e as relações de dominação e exploração são substituídas por relações morais – são substituídas pelos deveres do empregado e do empregador, e são mediadas por uma estrutura de dominação naturalizada, conforme o parágrafo anterior. A ética no trabalho é, muitas vezes, uma tentativa de docilizar o trabalhador, colocando contra ele uma série de armas que ele próprio poderia utilizar, sejam elas consideradas leais ou não, como as informações industriais secretas de uma empresa, além de homogeneizar o corpo de trabalhadores, impondo maneiras de se vestir, de se portar e de se apresentar.

São essas estruturas inconscientes (para usar um termo da sociologia pós-estruturalista) que mediam as relações entre os indivíduos (como a hierarquia do trabalho), que não são pensadas nem discutidas, mas, em última instância, são formadoras da realidade, que Guy Debord chamaria de espetáculo. Esta ideologia que está na espreita de qualquer relação e que não consegue ser conceituada, só designada, que só suscita imagem, mas nunca significado, é esta terrível dominação que não dá chance de defesa que podemos chamar de espetáculo.

Espetáculo É Cotidiano

Guy Debord

Eu creio que isso não precisa ser aplicado só ao trabalho, mas a qualquer grupo. Em um grupo social qualquer, por exemplo, vemos que há regras implícitas no seu funcionamento. Essas regras delineiam um possível líder (declarado ou não). Quando um indivíduo do grupo não consegue incorporar as regras e recebe inúmeras sanções (como abuso moral feito pelo líder), ele passa a racionalizar essas regras, a reproduzi-las conscientemente, mas sem consciência de que se trata de uma reprodução. O que isso significa? Que o indivíduo vê as regras, como num livro, mas elas não foram inculcadas.

Este mesmo indivíduo acaba, por sua vez, reproduzindo as regras que o oprimem e, portanto, oprimindo, também, os outros indivíduos. É óbvio que não se deve colocar toda a carga de culpa naqueles que reproduzem as regras do grupo, afinal, obedecê-las faz parte de estar no grupo. Mas quando o oprimido não percebe sua opressão como tal, aí deve-se tomar cuidado.

É isso que acontece com o não-adaptado que precisa seguir às regras como se estivesse fora de sua posição. É quase como uma evasão: ele se afasta de si e se olha por fora, externamente, depois, quando volta a si, faz uma imitação de si. Não é ele mesmo, mas a tentativa de ser aquilo que as atribuições do grupo o obrigam tomar.

Bento XVI Vai Embora

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Depois de 7 anos no comando do Vaticano e sendo o líder da religião hegemônica no mundo, Bento XVI decidiu se retirar do trono por debilitação física. Isso não acontecia a quase 600 anos, com Gregório XII sendo o último a tomar esta atitude. A respeito deste Papa, não há muito a ser dito, afinal, ele é o Papa – não é um sujeito, é, antes de tudo, uma posição com atribuições e obrigações. Ele precisa respeitar esta posição para continuar sendo “digno” dela – imaginem um presidente eleito numa democracia iniciar uma sucessão de atitudes despóticas? Pois é, a possibilidade de ser retirado da posição mais alta do executivo é eminente.

Bento VS João Paulo

Dizem que Bento XVI não foi tão bom quanto João Paulo II, mas, vejamos, se “Papa” é uma posição, então, no fim, o sujeito só precisa executar as atribuições desta posição – se for assim, então os dois são a mesma coisa: um em forma de líder carismático o outro em forma de líder mão-de-ferro.

João Paulo II

Ambos foram satanizadores do comunismo – apesar do Vaticano ter os pés no Fascismo, talvez por estratégias de guerra -, ambos demonizaram a homossexualidade e ambos eram extremamente moralistas, mas creio que não se deva imputar a características a eles, como indivíduos. Conforme já disse, isso tudo é um pressuposto para a realização da conduta de Papa. Um Papa é aquele que, mesmo sem a roupa de Papa, ainda tem o “espírito de Papa”.

O Perfil do Profissional

Até mesmo na votação é necessário ter em mente que os candidatos são aqueles que previamente se encaixam no “perfil” do Papa. Perfil é uma palavra curiosa e utilizada para segregar aqueles que não se encaixam em uma estrutura de sujeito socialmente aceita para um determinado emprego: perfil de administrador, perfil de contador, perfil de vendedor, perfil de jornalista e etc e etc.

Mas o “perfil” é uma maneira utilizada para se propagar diversos preconceitos e normatividades inúteis. O perfil envolve muito mais que uma estrutura de ação. É ligado à roupas, ao vocabulário, à cultura, à personalidade e etc e etc. Pensemos, se o perfil de um trabalhador de uma empresa multinacional de contabilidade envolve as características do Belo, Culto e Pragmático, então, sem frescura, fica óbvio que um trabalhador comum da periferia da cidade dificilmente conseguiria o posto de trabalho.

Belo e Culto se relacionam com o Homem Europeu (Homem, não mulher) – o branco bem-educado de roupa social. Não ir à entrevista de roupa social já é um ponto negativo, já é um corte certo na seleção. O pragmatismo é um eufemismo para racionalismo: o que importa é o mercado, ele se justifica.

O Homem Formal

Auto-Justificação

O mercado se auto-justifica no sentido de que categorias de música, programas de televisão, filmes, livros, utensílios do lar e etc não precisam de uma justificativa para existir – eles existe para suprir uma necessidade de uma fatia do mercado (e esta é a justificativa!). Nada mais vazio.

A saída de Bento XVI é a saída de um executor de uma posição fixa. Outro irá substituí-lo. A Justificativa para haver um Papa tão coberto pela mídia e uma mídia tão atenta ao Papa está na importância do Papa para o povo – o Papa é líder da religião hegemônica, oras. Mas esta justificativa é a mesma justificativa do mercado: O Papa tem visibilidade midiática por que há uma fatia do mercado da mídia que quer ver o Papa e irá comprar jornais, revistas, acessará sites e ligará a televisão para ver notícias sobre isto.

Entretanto, novamente, isso não é uma justificação, é um vazio. É estabelecer o mercado como possuidor do que deve e do que não deve ser veiculado, é colocar o mercado na posição de dispositivo de seleção e censura de notícias, de cultura, de política e de moral. A técnica do mercado tem como objetivo o consumo do maior número de pessoas, só isso – não há nada por trás disso e, exatamente por conta disso, ele [o mercado] não deve ser o censor da cultura e da informação em geral.

Yoani no Roda Viva

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O Roda viva com Yoani Sanchéz foi meio lá meio cá. No momento, enquanto escrevo este texto, Gossip Girl passa no SBT, com aquela tradução maravilhosa que faz cada personagem parecer um ser humano com problemas vocais – está melhor que o Roda Viva. Não quero dizer que o programa estava ruim por ser tendencioso, isso não, mas o programa estava morno, estava em clima de “boa hospitalidade”. Mas hospitalidade para quem?

Delicadeza excessiva

Os jornalistas estavam tão delicados com Yoani como Alan é delicado e atencioso com Charlie, quando precisa de uns trocados. Se tirarmos de nossa conta um pergunta mais ácida, feita por Chantal Reyes, ao comentar sobre o título de diplomata do povo de Yoani – “Como você sabe que representa o povo cubano?”

Apesar dos rodeios – e que rodeios, ela girava tanto em torno de cada pergunta que me fez gorfar um suco de manga – é necessário ver a entrevista e notar que a falta de conteúdo expresso é uma boa evidência da falta de sua teoria ser bem alicerçada. O que isso significa? Que ela é financiada pelo EUA? Eu não sei, mas isso se encaixa com a descrição já bem sabida do ativistas pós-modernos: pouco conteúdo e muito berro.

Definir-se é limitar-se (!?)

Ela não se define, muito provavelmente para ainda ter a opção de transitar por todos os lados quando bem quiser sem ser importunada por isso, mas, vejamos, uma posição não precisa ser imutável, então, por que não se definir? Eu creio que posições políticas são, também, artigos de consumo – não se definir, não se delimitar, é ter a possibilidade de consumir qualquer posição dentro do leque de opções.

É provável, também, que não se posicionar seja, além do leque aberto para o consumo, uma maneira de não se queimar, afinal, sua fama é de ser uma marionete americana, uma reafirmadora da ideologia dominante (o que não é mentira) – Eu só fiquei sentindo falta de um incendiário para botar fogo naquele programa.

A entrevista está mais pra baixo:

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