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Algumas Supostas Obrigações Morais De Um Grupo De Oposição

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Algumas Supostas Obrigações Morais De Um Grupo De Oposição.

O Uso do Tempo-Livre

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A mais supérflua banalidade reiterada pelos sociólogos de esquerda recentemente é que o lazer se tornou um dos pontos principais de avanço na sociedade capitalista. Esta banalidade é a base de incontáveis debates a favor ou contra a importância de uma reforma nos padrões de vivência, ou sobre a participação dos trabalhadores nos valores de vida que prevalecem em nossa sociedade e que eles, os trabalhadores, estão se tornando cada vez mais integrados. O que é contra-revolucionário em toda essa verborragia é que ela equaciona tempo-livre com passividade de consumo, como se o tempo livre fosse usado exclusivamente para se tornar cada vez mais um espectador em tempo integral dos absurdos vigentes. As ilusões manifestadas em um ponderado simpósio em particular, deste sociólogos, foram sonoramente refutadas em dois artigos na Socialisme ou Barbarie #27. No primeiro, Pierre Canjuers escreveu que: “Enquanto o moderno capitalismo constantemente cria novas necessidades justamente para aumentar o consumo, a insatisfação das pessoas continua a mesma de sempre. As suas vidas já não têm mais nenhum significado além de uma corrida ao consumo e esse consumo é utilizado como legitimação do aumento da frustração de qualquer atividade criativa de genuína iniciativa humana – ao ponto das pessoas não conseguirem enxergar essa ausência de significado como um ponto importante.” No segundo artigo, Jean Delvaux percebeu que o problema do consumo não substituiu a distinção qualitativa entre o pobre e o rico (a cada cinco trabalhadores, quatro ainda precisam se esforçar para conseguir pagar suas despesas). De modo mais significativo, ele também apontou que não há razão para se preocupar se o proletariado participa ou não dos bens de valores cultural e social vigentes, pois “nenhum deste valores existem.” e ele adicionou o ponto essencial que a cultura presente, “cada vez mais separada da sociedade e da vida das pessoas (artistas pintando para outros artistas, romancistas escrevendo romances que serão lidas por outros romancistas sobre a impossibilidade de se escrever um romance) – esta cultura, na medida em que tem alguma originalidade, ela não é nada mais que uma auto-denúncia: a denúncia desta sociedade e um ódio contra a cultura em si.”

O vazio do lazer, deriva do vazio da vida na sociedade atual, e não pode ser preenchido pelo escopo desta sociedade. O vazio é simultaneamente expresso e ocultado pelo espetáculo cultural como um todo em três formas básicas.

A “clássica” forma de cultura continua a existir, seja produzida em sua forma pura ou como em imitações recentes (Teatro Trágico, por exemplo, ou a polidez burguesa). Em segundo lugar, há as inúmeras representações espetaculares degradadas em que, através delas, a sociedade vigente se apresenta ao explorado de forma em que consegue se mistificar (esportes televiosionados, virtualmente todos os filmes e romances, publicidade, o status simbólico social do automóvel). Por fim, há uma negação de vanguarda do espetáculo, uma negação que é frequentemente incosnciente de suas bases, mas que é o único aspecto “original” da atual cultura. O “ódio contra a cultura” expresso por suas formas últimas como a mesma indiferença que os proletários como classe têm para qualquer forma da cultura espetacular. Até o espetáculo ser negado, qualquer audiência que assista esta negação não poderá ser distinguida de toda a audiência suspeita e infeliz que consiste em artistas e intelectuais isolados. Quando o proletariado revolucionário se manifestar, não será como uma nova audiência para um novo espetáculo, mas como pessoas participando ativamente de todos os aspectos de suas vidas.

Não há nenhum problema revolucionário em relação ao lazer – de um vazio a ser preenchido – mas sim um problema de tempo-livre, como tempo que pode ser livremente utilizado pelo indivíduo e pela sociedade como um todo. Como já dissemos: “Não é possível haver nenhum uso do tempo-livre, ou uso livre do tempo, até que possuamos as modernas ferramentas para a construção do cotidiano. O uso destas ferramentas marcaria um salto da arte revolucionário utópica para a arte revolucionário experimental” (Debord, “Theses on Cultural Revolution,” Internationale Situationniste #1 ). A superação do lazer pelo desenvolvimento de uma atividade de livre-criação e consumo só pode ser relacionado com a dissolução das artes tradicionais – em sua transformação à modos superiores de ação que não recuse a arte ou tente aboli-la, mas sim que tente preenchê-la completamente. Por este caminho, a arte seria substituída, conservada e superada com uma atividade mais complexa. Seus elementos tradicionais poderiam continuar parcialmente presentes, mas transformados, integrados e modificados pela totalidade.

Movimentos anteriores de vanguarda se apresentavam declarando a excelência de seus métodos e princípios, que seriam imediatamente tidos como a base de seus trabalhos. A IS [Internacional Situacionista] é a primeira organização artística a se basear na completa e radical inadequação à todas as formas permissíveis de trabalho artístico; e que sua significância, sucesso ou falha, só serão possíveis de verificar com a práxis revolucionária de seu tempo.

IS – 1960

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Traduzido do texto em inglês, aqui.

Greves, Todo Mundo Odeia Salário Mínimo e A Espera de Um Milagre

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Após a greve dos correios, quando eu voltava do trabalho, vi uma mulher reclamando com o carteiro do atraso de suas cartas, dizendo que, no fim, quem sai perdendo é cidadão como ela. Essa mesma reação a gente vê em relação a maior parte das greves que têm como consequência alguma parada de serviços com os cidadãos comuns e etc. Mas, então, como a greve deveria ter acontecido?

Eu creio que a greve mais simbólica, em relação ao tema, seja a dos transportes públicos, onde a mídia cobria a greve da perspectiva dos usuários de ônibus e trens, insinuando a falsa legitimidade da paralisação pelo descontentamento dos cidadãos que precisam do transporte público. Mas, não seria exatamente esse o objetivo da greve? A paralisação de toda uma rede que depende de seu trabalho? Eu digo, qual seria o resultado da greve se os ônibus continuassem a andar, porém, para demonstrar seu protesto, não cobrassem passagem?

Se o verdadeiro objetivo da greve é atacar a raiz político-econômica dos problemas dos trabalhadores, então ela não deve se limitar ao combate fechado. Eu digo isso, pois, se os trabalhadores fazem parte de uma classe social que, seja qual for a cidade ou país, ainda é a mesma, a greve só é um real protesto de âmbito político-econômico se for um protesto de classe, caso contrário, se transforma em um protesto contra a má ética de um determinado patrão. O protesto que era para ser objetivo, se torna subjetivo.

É aí que o inimigo se torna o chefe imoral, não aquilo que alimenta a existência do chefe imoral.

É fácil relacionar essa situação com o episódio de Todo Mundo odeia o Chris em que ele se demite do Dock’s, por que o mesmo recusara a pagar um salário mínimo, e foi trabalhar no restaurante chinês do Sr. Fong. A forma de Chris demonstrar seus desapontamento foi indo trabalhar em outro lugar, mas não em duvidar do sistema de salários ou do patronato.

Quando recebe seu primeiro salário (e essa cena é reveladora), Chris percebe que está menor do que o quanto recebia no Dock’s, pede explicação ao Sr. Fong, que lhe responde que a diminuição de seu salário se dá pelos descontos do imposto (maldito Estado). Após trabalhar com o mínimo de condições e recebendo menos que em seu antigo emprego, Chris se demite do restaurante chinês e volta para o Dock’s. Ou seja, entre ter um péssimo emprego, mas os direitos trabalhistas, ou ter um emprego bacana, mas sem direito nenhum e salário um pouco maior (essas são as únicas opções declaradas na série), ele escolhe o suposto bom emprego que, no início, ele lutou contra.

Eu acredito que essa seja a expressão de como um ideal é considerado, hoje. Chris, como a imagem do revolucionário absorvido pela naturalidade do sistema capitalista democrático (ele teve um ideal, mas a realidade é outra… Abandonou o ideal falido e viveu a realidade, ponderando o que era melhor para si). Ou seja, ele perde toda sua objetividade se torna um ideal ético, algo que é desejado, mas que não contraria a concretude da realidade (naturalmente, capitalista).

Ainda me arrisco ao colocar essa mesma expressão de naturalidade, de concretude real Vs. Ideal ético, em A Espera de Um Milagre, onde, apesar de ser inocente, apesar de um dos guardas saber da sua inocência, o prisioneiro é morto pela falta de provas concretas. Não há o que fazer se não há provas concretas (quando digo provas concretas, a relação da sua concretude está em sua lógica com o sistema que a denomina concreta, ou seja, concreta na perspectiva de quem ditou as regras), ele deverá seguir para a cadeira elétrica. Percebam, uma fuga com o prisioneiro não é nem cogitada.

A verdadeira mensagem por trás do filme é a autoridade do contrato social sobre as pessoas. Não se brinca com as regras do contrato e o dever proposto por ele deve sempre ser cumprido (caso seja contra sua vontade, relaxa, se deus existe, tudo é permitido).

Motorista atropela ciclistas em Porto Alegre

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Na última sexta-feira na cidade de Porto Alegre, o funcionário do Banco Central Ricardo Neis atropelou cerca de 10 ciclistas sem parar para oferecer ajuda.O motorista recentemente entregou se a policia, ele e seu advogado alegaram legitima defesa e pressa, Ricardo disse que não teve alternativa, pois alguns ciclistas batiam no vidro do carro e teriam quebrado seu retrovisor.Ele teria fugido por medo de ser linchado.

“A falta de tolerância no trânsito não pode ser justificativa para um ato de comportamento selvagem como esse. Havia rotas alternativas perfeitamente viáveis”disse o Delegado.

 

Embora os carros nos tratem com arrogância, nós não devolvemos com a mesma moeda, garanto que nenhuma Massa Crítica do mundo sai por aí quebrando os retrovisores dos carros e ameaçando os motoristas.

 

O transporte público brasileiro não é um transporte confortável e está cada vez mais caro.Nós ciclistas, skatistas e pedestres procuramos autonomia na hora de deslocarmos de um lugar para outro, além de alternativas baratas, saudáveis, sustentáveis e muitas vezes são a forma mais rápida de chegar em casa.O problema é que cada vez mais é estabelecido o pensamento de que as ruas foram feitas para os carros, não para as motocicletas, não para os ciclistas e skatistas,e muito menos para os pedestres,as ruas foram feitas para os carros e é assim que deve continuar.

Embora as leis brasileiras obriguem os motoristas respeitarem os pedestres, não é bem assim que a banda toca. É comum os motoristas acelerarem para que os pedestres corram para as calçadas,é comum os motoristas buzinarem para os ciclistas saírem do meio fio,é comum os motoristas buzinarem para os skatistas saírem da rua e irem para as calçadas.

 

Os carros são um dos maiores responsáveis pelas mortes no mundo, perdendo apenas para o cigarro e o câncer.Carros não são baratos, são os maiores responsáveis pela poluição e mesmo assim a indústria de carros cresce cada vez mais, pois ter um carro significa status, quanto mais caro o carro mais foda você é. Recentemente na cidade onde eu moro, casas foram derrubadas para a construção de uma nova estrada.Quanto mais carros nas ruas mais stress, mais acidentes, mais poluição, menos casas.Esse é verdadeiro preço do “status”.

Roubo uma frase de uma amiga que diz “Os verdadeiros selvagens estão nas cidades!” e encerro esse post.

 

Good Intentions

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“Uma parte de minha vida,dedicação

Para tudo que acredito, convicção”

Sim!!! Aqui também tem música violenta, barulhenta e do satanás…..

Os paulistanos do Good Intentions estão na ativa desde 1999 fazendo um hardcore influenciado principalmente por Gorilla Biscuits e Minor Threat.O som dos rapazes não é tão diferente assim de bandas que sobrevivem por ai, mas a mensagem deixada não é algo que se encontre por ai com facilidade.A mensagem que fica ao acabar de escutar uma música da banda é positiva, é esperançosa combinando com aquela fúria adolescente com a vontade de mudar.

O show da banda é impressionante, possui uma força descomunal que há tempos eu não via no cenário underground.A galera sobe no palco, canta a letra como se fosse um hino, disputa o microfone, se machuca e se orgulha dos hematomas adquiridos no show.

É uma banda atípica que só enriquece o cenário underground atual, a mensagem deixada pode não ser tão contestadora quanto a mensagem de algumas bandas do mesmo cenário, porém atualmente uma mensagem tão positiva pode ser mais importante do que qualquer outra.

http://www.myspace.com/goodxintentions

Edukators

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“Os dias de fartura estão acabados”

A Alemanha reunificada, desenvolvida e feliz está comemorando, porém nem todos estão alegres com essa comemoração, e fazem questão de saírem dos cantos, e irem para o centro da festa, mostrar a sua indignação.

 Peter e Jan são dois jovens indignados com o mundo capitalista e encontram uma forma pacifica de demonstrar toda a sua raiva, invadindo mansões bagunçando os móveis e deixando mensagens de protesto, eles se auto denominam “Os Educadores”.Jule a namorada de Peter, acumula dividas enormes devido á um acidente onde ela destruiu o carro de um rico empresário, e foi condenada pela justiça á pagar 100 mil euros.Jule trabalha apenas para pagar a divida e é expulsa do apartamento alugado onde morava. Peter viaja e Jan vai ajudar Jule com mudança. Jule e Jan se conhecem melhor e Jan conta á Jule sobre os “Educadores”.Empolgada com a noticia Jule convence Jan a invadir a casa de Handenberg,o empresário que a processou .Na invasão Handenberg os surpreende,o que acaba obrigando Jan, Jule e Peter (que já tinha voltado de viagem) seqüestrarem Handenberg.Handenberg é um ex-revolucionário de 68 que acaba virando um empresário.

Com diálogos inteligentes e uma pequena provocação do diretor, que critica a geração sem ideais políticos, o filme causa uma boa reflexão, criticando a globalização, a alienação. Uma das coisas mais legais do filme é critica de um pais desenvolvido aos paises desenvolvidos, assim como no Bem Vindo,que já foi comentado por aqui.E o filme ainda tem espaço para preencher-se com cenas de romance sensível e adolescente.

O filme se encerra com a frase:
“Algumas pessoas nunca mudam”.

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