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Corte de Cabelo e Falta de Noção da Autoridade Individual no Pânico

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Cortaram o cabelo da moça no Pânico na Band. Pode parecer só um ato idiota, mas eu acho que demonstra mais coisa que parece. Digo, é difícil imaginar uma mulher “comum” da atualidade que vá cortar os cabelos desta forma, desta maneira. Até eu não gostaria de raspar a cabeça, o cabelo é algo que está posicionado bem o núcleo da expressão da personalidade, digo, ele faz parte da nossa significação em sociedade, ele é expressão social.

Nesta lógica, já sabemos o valor social maior que é dado aos cabelos das mulheres dentro das características consideradas como essenciais para ser mulher (como a vaidade). É interessante pq determinados cabelos expressam determinadas significações, eles estão situados no sistema simbólico de diferentes formas. Por análise empírica, não se tem dúvida que o corte de cabelo anterior da panicat era representativamente um corte de um determinado tipo de classificação, de um determinado grupo. Vê-se que o cabelo faz parte de todo uma combinação para representar realmente aquilo que deve representar: a vaidade supostamente natural da mulher e todas as características que são naturalizadas.

Aí a gente tem algumas hipóteses: 1 – Ela cortou e sabia disso. Foi tudo consciente 2 – Ela realmente não sabia o que estava acontecendo e foi pega de surpresa.

Se ela sabia o que estava acontecendo, então houve um comunicado anterior que a coagisse a cortar o cabelo. Não creio que ela aceitaria pelo “espírito de brincadeira do programa”. O cabelo é muito mais valioso do que a integração num grupo social determinado que, antes mesmo de aceitar o sujeito, exige que ele já tenha certas características (por exemplo, as panicats precisam estar sob determinados padrões). Logo, algo a convenceu. O que?

Se ela não sabia, se tudo foi na hora, então aconteceu um desrespeito imenso à autoridade individual da moça, sem contar no trauma do corte da expressão social essencial para a mulher “normal” – o cabelo. Caso essa opção seja correta, então o programa se mostra como autoritário e misógino, novamente.

Mas se a primeira opção é a correta, então qual foi a coação do programa? Grana, garantia de emprego, sei lá… Seja qual for, há uma contrapartida: o que aconteceria se o proposto não fosse feito? Eu creio que para saber a coação do programa seria necessário entender o seu inverso – entender quais seriam as consequências de não participar da “brincadeira”. Talvez a demissão, ou o caminho para o ostracismo na band, não sei. Mas penso que o que a fez realizar o quadro do programa não foi a coação positiva, a proposta, mas a coação negativa, as sanções relativas à não-ação.

Claro que haverá uma parcela que vai dizer que é só idiotice… Não diria isso. Nas duas opções há um reflexo de um programa claramente machista. A participação da integrante é relacionada com sua beleza física, seu enquadramento num certo parâmetro, assim como a manutenção de seu cargo no programa tem relação com o sacrifício dessa beleza física, ou seja, não é a panicat que está no programa, mas sim o objeto, a coisa, só a coisa está lá. A coisa não tem autoridade individual, não é um sujeito. Como lidar com isso? Trocando de canal? Com certeza essa não é a solução. Deixar de lado não resolve com isso.

Racismo no Caso BBB, Caridade Global e Ação às Avessas

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Dentro deste caso no BBB, o assunto um pouco discutido foi a possível acusação de racismo por parte do programa/público. Basicamente, o programa democrático teve que expulsar um participante após a decisão – dita racista – do público. O público, que manda no programa, foi responsabilizado pelo alvoroço do caso, afinal, não passou de racismo já que o rapaz não fez nada demais. Todo o caso foi construído, desta forma, pelas fantasias racistas do público do BBB.

A minha questão é: onde está o racismo neste caso?

O fato do rapaz ser negro não anula o abuso sexual, pois o abuso foi objetivo. Simplesmente foi um abuso de um sujeito para com outro. Não há o que discutir. Rousseau coloca o soberano como um aplicador cego das regras, ele não aplica as leis a um indivíduo em particular, mas a um indivíduo genérico. O ato é o ato, não importa quem o fez, no entanto, as explicações sobre o ato, as perspectivas, são elas que o legitimam ou não.

Vejamos, o que eu quero avaliar sucintamente é a noção de racismo por parte daqueles que eliminaram o participante, ou seja, o público. Porém, o que eu vejo é o extremo contrário! O racismo está incluso nas atitudes da própria emissora que, ao tentar livrar o programa de acusações diversas, ao tentar desligar totalmente o programa do caso, tenta amenizar a situação, colocando em voga o outro lado da moeda. Daniel não é culpado, é vítima, vítima do preconceito da sociedade brasileira.

Essa reação é da pior possível, pois, ao tratar o caso como racismo, sem ter nenhum tipo de argumento plausível para tal, a própria globo assume uma conduta racista, entretanto, um racismo afetivo, um insulto moral, onde o reconhecimento do negro como um sujeito tão sujeito como os outros (brancos). A degradação do próprio negro como sujeito, como autoridade de sua liberdade é o racismo no caso. O que a globo faz é defender aquele que não consegue se defender. Defender o oprimido, mas… Ele é o oprimido?

Não duvido que ele já tenha sofrido racismo durante sua vida, no entanto, a própria atitude da globo é pontual, então ela se mostra não como verdadeira luta contra as desigualdades estruturais estabelecidas entre negros e brancos, mas, sendo unicamente uma caridade num mundo de miséria, a manutenção do status quo. É passar a mão na cabeça no cachorro e continuar a espancá-lo continuamente.

Destituir o rapaz de sua autoridade como sujeito e ajuda-lo com um pequeno gás de anti-preconceito, mas sem acabar com as estruturas daquilo que gera o próprio preconceito, imputando a culpa no indivíduo (na consciência ruim das pessoas, na falta de ética e etc) e se retirando de qualquer responsabilidade maior, é a base para continuar com uma política social racista. Isso, claro, sem contar com a situação contraditória de proteger o rapaz de algo que não há proteção. Justificar o abuso é quase como naturalizar os comportamentos expressados – o negro selvagem e a mulher manipuladora.

Daniel é objeto da emissora para retirar a própria culpa do acontecido, no entanto, essa maneira de agir reproduz o próprio racismo que tenta ser evitado.

Restaurante, Submissão, Autoridade e Todo Mundo Odeia o Chris

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Hoje eu almocei no lugar onde eu sempre almoço, de boa, tranquilo, comida gostosa, pessoal gente fina, etc e etc. Depois que a gente se serve, precisa pedir o que vai tomar e esperar na própria mesa, lá eles entregam o suco, refrigerante, café, seja o que for… O modo como acontece essa entrega é aquele comum: a pessoa coloca o copo de suco (por exemplo) na bandeja, chega à mesa do sujeito que está comendo e coloca o copo sobre a mesa. O que achei interessante foi a dona do lugar levar o copo sem colocar na bandeja e servir o sujeito que estava comendo. Ele não reclamou, nem olhou torto.

Esse modo de servir o sujeito que está almoçando, com toda a submissão ao Senhor cliente, já com aquele pressuposto da autoridade máxima do sujeito que compra os serviços que, porventura, pagarão seu salário e etc, essa relação de submissão de quem serve para quem é servido já é uma merda. Isso já me deixa constrangido de ir à maioria dos lugares. Nem dá pra contar nos dedos a quantidade de vezes que presenciei os clientes exigirem determinadas coisas que são tão inúteis quanto aquilo que eles fazem da vida.

As exigências inúteis só traduzem esse poder, essa autoridade do cliente sobre o sujeito que está lhe servindo. Referenciando o papel do sujeito que serve (garçom e garçonete) com o dos escravos, rebaixando da mesma maneira. Os escravos ainda existem, ainda fazem o que faziam, mas agora são assalariados e podem comprar um produto no fim do mês para massagear a revolta de ser um neoescravo.

Eu digo, essa analogia com escravo não está somente no trabalho, mas em todo conteúdo histórico acoplado nele. Servir, lavar, enxugar, servir, abaixar a cabeça, o Outro tem razão, servir, etc e etc.

Aí entra a ação da dona do restaurante. Ela serviu sem seguir as regras que ela própria determinou (ou melhor, que a sociedade determinou, ela só o fez formalmente). Ela demonstrou sua autoridade em fazer o que quer, já que, oras, o restaurante é dela. Ela é a autoridade máxima do lugar. Essa frase é confirmada pela não-ação do cliente, ele não fez nada por que sabia que era a dona que estava servindo. Não era qualquer garçonete submissa sem autoridade, era a dona. Ela pode.

Isso me faz lembrar do episódio de Todo Mundo Odeia o Chris, onde Julius e Roxelle vão a um restaurante e, ao perceber que seu prato veio sem repolho, ela reclama com o garçom que, rapidamente retruca “vou chamar o gerente”, Julius diz “Não queremos gerente, só queremos repolho”, e ele repete pausadamente “Eu vou chamar o gerente”.

Ou seja, o garçom, para se proteger de qualquer tipo de agressão, chama o gerente que, diga-se de passagem, falou a mesma coisa que o garçom deveria ter dito (que foi treinado a dizer): a salada de repolho não está inclusa. A autoridade do gerente vale mais do que a autoridade formal do menu. Não seria este um exemplo de argumento da autoridade, onde, a veracidade da informação se dá pela autoridade daquele que a expressa? O garçom não representaria perfeitamente o sujeito sem autoridade, indefeso e autômato?

Julius e Roxelle, acatando o gerente, não foram como o sujeito que aceitou o suco sem reclamar da falta de ética com o cliente e etc?

Não há nada mais confortável que se servir. Confortável para mim e para o garçom (que não existiria, no caso). Aí sempre vem algum nobre liberal pra mandar uma de que “assim, várias pessoas seriam demitidas e etc”

É como o papinho de que greve é ruim pra população, mas isso é pra outro post.

Clitoridectomia e a Cultura

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A Clitoridectomia é a circuncisão feminina, muito praticado nos países do norte do continente africano. Não tem ligação direta com a religião, mas sua prática ocorre principalmente em países onde o islamismo é a principal religião. É o retrato da submissão feminina às opiniões dos homens da sociedade, pois o ato ocorre quando a menina ainda é pequena e não há respeito ao seu julgamento, somente a imposição da prática cultural e, conforme o próprio Corão, o homem é superior à mulher, e merece obediência.

Dentro do assunto, não levando em conta a saúde feminina, mas a prática cultural dentro de uma sociedade e vizinha de tantas outras sociedade que podem vê-la e questioná-la, chegamos em um impasse: devemos respeitar a cultura que promove a clitoridectomia por ser uma cultura viva, que merece respeito e não é nem pior nem melhor que a nossa, ou devemos tentar aniquilá-la, indo de frente com todas as políticas pacifistas e seguindo o caminho nazista da eliminação dos povos “inferiores”?

Há uma áurea mística em torno de todas as culturas, essa áurea não permite que a cultura seja atacada, pior, a protege de qualquer tipo de crítica. Aquele que critica uma cultura se torna um intolerante nazista. Mas até que ponto isso é verdade? Eu quero dizer, até quando que tolerar mutilação é a forma consciente de agir? Tolerar a mutilação é uma forma de respeitar a cultura?

Quando um indivíduo está suficientemente apto para entender a sua cultura, para renegá-la ou não, para ser livre, deixá-la para trás e procurar algo que mais lhe adequa, existe o mínimo de liberdade dentro de todas as pressões culturais que foram mantidas sobre uma sociedade, porém, quando há a modificação conscientemente aplicada, em que a pessoa que sofrerá essa modificação não é de acordo com tal, ou até não tem a consciência de ser ou não de acordo, já se trata de um abuso por parte dos adultos que forçam esse tipo de inserção.

Isso é denominado Absolutismo Cultural e a teoria da tolerância total, pseudo-respeito e etc, é o Relativismo Cultural.

Faz parte da ideologia atual o relativismo cultural. Desde sempre somos forçados a entender o que ocorre em outros lugares com os olhos das outras pessoas, o que não é ruim, é até muito bom. “Porém a clitoridectomia faz parte da cultural deles, é aceita e respeitada como forma de inserção social e etc..”. Seria esse o entendimento que devemos ter a respeito da clitoridectomia?

Devemos deixar que o povo tome conta da situação, quando é o próprio povo que aceita essa prática. As localidades onde a clitoridectomia é praticada são, na maioria das vezes, lugares em extrema pobreza, onde as pessoas não tem conhecimento de seus direitos básicos.

Muitos citam o fato de que as mulheres, mães, apoiam o ato, e usam como argumento para desviar os ataques à essa prática como uma prática machista, de uma sociedade machista e etc, porém se esquecem que, em uma sociedade machista, todos estão sujeitos aos dogmas machistas, tanto homens como mulheres.

Muitos dizem é a própria mulher que aprova o ato, que o considera necessário e etc. Mas como alguém vai reivindicar pela liberdade, sendo que o próprio conceito de liberdade não é incluso dentro da sociedade que pratica tais atos?

 

“Este é do mal, aquele é do bem!”

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Por que, na maioria das vezes, achamos que os policiais, religiosos, empresários “do bem” são grupos imaculados?

É óbvio que existe a fama da corrupção entre os policiais, de enganação entre os religiosos e de pura mesquinhes entre os empresários e etc, mas, por que quando ocorre alguma notícia tensa, como : “Policiais são presos por tortura”, consideramos diferente de uma notícia idêntica, mas com uma única modificação: “Traficantes são presos por tortura”.

Em nosso modus operandi, digo, nossa maneira de agir, sentir e pensar, devemos proteger certas instituições e indivíduos, assim como, devemos destruir completamente determinadas instituições e indivíduos.

Quando aparece a denúncia que a Polícia fez torturas, nós pedimos provas ou simplesmente não acreditamos, caso haja crédito para a notícia, e levado com o seguinte comentário, “Policial fez isso com bandido, tá certo! Por que bandido pode e policial não? Bandido bom é bandido morto!”. Existe um crédito aprovado para notícias que denunciem torturas por traficantes, e sempre que acontece uma denuncia dessas, vemos a generalização de um ato em particular: os traficantes são torturadores, mas se for com a polícia, o policial é torturador.

Há, ainda, o lado mais específico! O policial ”X” é torturador, ou seja, ele é mais especificado ainda! Assim como acontece com religiosos. Esses dias, mais uma vez, me aconteceu de ouvir um indivíduo falar sobre um determinado ou uma determinada religiosa que fez sexo antes do casamento, coisa que é imperdoável! Foi então que o religioso presente proferiu as palavras antes nunca ditas: “não é a religião que é ruim, é o rapaz/moça que são promíscuos”.

Em outras palavras: a religião nunca está errada, seus fundamentos não são causa de nada de ruim e devem ser seguidos. Não há mal nenhum em segui-los e o indivíduo segue se quiser, caso não consiga, a culpa é totalmente dele.

O engraçado é que se acontece algo de errado com um ateu, o ateísmo que é culpado.

A áurea de polidez existe com os “bons empresários”, que doa dinheiro para orfanatos, que fazem campanhas ecológicas e etc. Estes bondosos nunca podem ser criticados, pois eles conseguem fazer do capitalismo um bicho bonito e legal de se conversar. São o exemplo do mercado.

Estes camaradas não podem ser chamados de porcos, pois eles, além de dar emprego ao povo, também dão saúde aos habitantes da terra!

1º passo para se livrar dos grilhões da ingenuidade: duvide da autoridade mais polida que encontrar.

 

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