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Zona da Amizade, Troféu e Conquistador

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Quantas vezes, depois de um tempo xavecando alguém, um cara chega pros amigos e diz, “Porra, virei amigo, fodeu!”??? Inúmeras. Essa zona da amizade é assunto tenso, sempre evitada [a zona], já que é ela que termina com qualquer chance de algo mais, o importante não é se relacionar com alguém, mas sim alvejar a moça.

Eu acredito que, por trás dessa reclamação, até mesmo fuga do aterrorizante da zona da amizade, há “boa” e velha maneira machista de viver. Repare, esse termo foi usado, no primeiro parágrafo, com o agente sendo masculino, exatamente por que esse é um termo imputado ações do típico homem. Até mesmo quando mulheres utilizam o termo, ele ainda está na cobertura das ações masculinas, ou seja, quando ela é ativa. O termo não foi resignificado, foi utilizado normalmente, manteve seu significado, a mulher que acaba sendo julgada, por conta disso, da perspectiva histórica do homem.

Eu creio que, por trás da zona da amizade existe a concepção da mulher como troféu e, desta concepção, a passividade feminina. O troféu é aquilo que você luta para conquistar, batalha para conseguir, enfrenta outras pessoas, enfim, compete. O problema é que não há nada de heroico e bravo nisto… Principalmente quando definimos outro sujeito como passivo. Ela será conquistada, será uma vitória para o homem.

Até aqui, pode parecer que há uma vantagem social feminina, afinal, lutam por elas, mas, muito pelo contrário, é aí que reside a desigualdade social, política e econômica que tanto as feministas lutam contra – óbvio, desigualdade essa onde o homem acaba saindo privilegiado em todas as categorias de análise. Por quê?

Enquanto a mulher for enfiada no ideal de delicada, recatada, detentora de boas maneiras, acolhedora e etc, nós devemos contextualizar toda e qualquer classificação nestes pressupostos. Não dá pra formar um novo pressuposto só para modificar o significado de uma ação, o que se faz é exatamente o contrário. Toda mulher precisa ser uma virgem Maria.

Entretanto, a posição da mulher neste tipo de relação é a objetivo – objeto – a ser alcançado. Ou seja, se esquecermos do fator histórico, ela fica numa posição superior! Afinal, ela que poderá escolher o felizardo a passar os dias ao seu lado. O homem seria, então, aquele que prova à todo custo, ser digno do amor da mulher (ou de uma trepada, como queira). Porém, quando se admite o fato histórico, a visão muda. As características sociais impressas na mulher (e que a faz ser mulher), quando imputadas, reformulam essa relação. Ela vira de ponta-cabeça.

A mulher se torna, na verdade, o objeto passivo a ser alcançado, o troféu e, como todo troféu, as glórias são do conquistador. Para onde vamos? Se a zona de amizade é o local onde os homens não conseguirem alcançar seu objetivo, conquistar eu troféu, então o próprio termo é de cunho machista. É fruto de relações homem vs mulher onde esta aparece sob posição social inferior.

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