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Arquivo da tag: julgamento

Crimes de Gênero Atuais

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Como bem lembrou Maíra, do site Território de Maíra, é necessário lembrar que a relação dos crimes contra mulheres dos últimos anos está na relação de dominação entre gêneros. Não são crimes comuns, aleatórios, cotidianos (não levem a mal), mas são, isso sim, crimes que tem como condição de possibilidade uma sociedade machista.

São crimes que acontecem não por que os indivíduos que o cometeram são “maus”, mas sim, por que a sociedade em que vivemos forma sujeito como estes. Que o machismo é estruturante, que ele não é fruto individual de uma ação errada, mas de fruto coletivo de uma reprodução de estruturas de dominação em diversas esferas da vida. Tratar esses crimes como espetáculo é esquecer que eles não são roubos de galinha, mas são, por sua vez, uma sociedade machista se expressando como tal.

Eliza Samúdio, Mercia Nakashima, as mulheres na índia, no oriente médio, nos grupos cristãos fervorosos, todas elas são vítimas de um sistema que não dá chance para oposição.

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Jornal da Cultura, Vladimir Safatle e Julgamentos Categóricos

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No dia 10 deste mês, no jornal da Cultura, o debate sobre a ocupação da USP foi retomado, porém, desta vez, Vladimir Safatle estava presente. O que foi interessante: A outra professora convidada, não recordo o nome, professora de Direito Internacional na USP e a âncora do Jornal, Cristina Poli, eram totalmente reacionárias. Enquanto Safatle acusou a mídia de “destilar preconceitos contra os alunos”, o que a âncora do programa, meio envergonhada fez, foi desviar o assunto e apelar para os argumentos na linguagem liberal democrática de, “Mas eles eras a minoria, né?”, ou, igual o dito pela professora de Direito, representando de maneira perfeita o leitor da Veja, “Manifestação pró-Louis Vitton”.

Esses preconceitos da mídia são como veneno em corpo com imunidade baixa. A massa assimila como sendo uma representação verdadeira do manifesto, logo, o protesto na USP se torna um protesto de maconheiros playboys bancados pelo papai. Com eu já havia dito, é uma maneira eficaz de manter o povo contra o protesto que tem como caráter, manifestações de povo, e não de elite.

Não se deve esquecer da ligação destes protestos com a esquerda brasileira e com a representação máxima do político (e da política): corrupção, malandragem e etc. Os protestos já nascem perdendo moral por conta de sua conjuntura política e terminam com menos moral ainda, por conta do manejo de informações da mídia. Aqui eu volto para a representação falsa da política como sendo algo ruim.

Ela (a representação do diabo chamado política) é até interessante num mundo pós-político, onde a política se limita a uma política administrativa, já que, no mundo pós-moderno, o capitalismo ganhou sua batalha contra o comunismo e não há mais alternativa nenhuma para desbancar sua hegemonia. A esquerda se envereda para o centro, a direita assume as rédeas, e desta forma um capitalismo sadio (e absoluto) é montado.

Logo, o apolítico sendo a representação e, por consequência, a reprodução ideológica, ele é seu maior inimigo. Mas eu acredito que não, que a negação da política e, por exemplo, luta contra a corrupção, feita pelo apolítico, é baseada na profunda crença de que essa luta nunca será ganha. O fato do apolítico identificar certos privilégios ou direitos morais adquiridos com a existência da corrupção no país e, ao mesmo tempo, identificar uma cristalização neste fato, o incentiva a lutar contra essa depravação moral, já tendo a garantia de, embora expressar sua indignação, ser o mesmo medíocre de sempre.

Para terminar, ainda no assunto da representação da ideologia vigente, eu digo que a própria existência do sujeito já faz dele uma representação da ideologia vigente. Antes mesmo do sujeito ser julgado por suas qualidade, expressões diretas e etc, ele recebe um julgamento categórico, onde certas características são levadas como pressuposto de julgamento: etnia, classe-social, vestimentas e etc. Numa sociedade pós-política, o julgamento categórico básico é aquele onde o sujeito já é, só por existir, o sujeito médio, ou deveria ser o sujeito médio. Sem contar que os outros preconceitos… Por etnia, por exemplo, já são a expressão conservadora, racista, daquele que julga.

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