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Arquivo da tag: machismo

Crimes de Gênero Atuais

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Como bem lembrou Maíra, do site Território de Maíra, é necessário lembrar que a relação dos crimes contra mulheres dos últimos anos está na relação de dominação entre gêneros. Não são crimes comuns, aleatórios, cotidianos (não levem a mal), mas são, isso sim, crimes que tem como condição de possibilidade uma sociedade machista.

São crimes que acontecem não por que os indivíduos que o cometeram são “maus”, mas sim, por que a sociedade em que vivemos forma sujeito como estes. Que o machismo é estruturante, que ele não é fruto individual de uma ação errada, mas de fruto coletivo de uma reprodução de estruturas de dominação em diversas esferas da vida. Tratar esses crimes como espetáculo é esquecer que eles não são roubos de galinha, mas são, por sua vez, uma sociedade machista se expressando como tal.

Eliza Samúdio, Mercia Nakashima, as mulheres na índia, no oriente médio, nos grupos cristãos fervorosos, todas elas são vítimas de um sistema que não dá chance para oposição.

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Conversa de Trem, Anacronismo e Liquidez Moderna

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Hoje eu estava voltando de trem para casa e não pude deixar de escutar uma conversa muito boa entre dois amigos, um homem e uma mulher, a respeito de suas relações e das relações do amigos. O papo foi interessante de ambos os lados, vejamos.

O rapaz a todo momento dizia como o amigo dele foi errado em não dar valor para os relacionamentos onde a namorada realmente gostava dele, realmente se importava com ele e etc, e que sua namorada atual “só dá vexame”. O ponto alto foi a afirmação de que o rapaz deveria “ensinar ela. Dizer como se comportar, mandar ela parar de conversar alto” e etc. O que concluo disso? Bom, a moça deve se desprender de seus costumes, sejam eles quais forem, pelo namorado? Pela convivência em grupo? Esse não é o ponto.

Pra mim, o ponto é: o rapaz precisa ensinar sua namorada a se portar perante a sociedade, enquanto namorada dele. O que temos aqui é a velha noção do patriarca que, literalmente, cuida/educa da esposa. Vale dizer que não há nada de romântico nisso, pois logo que percebemos que o valor social da mulher se esvai, vaza pelo “bom” tratamento recebido, já ficamos perto de ter a resposta indesejada – a mulher se torna um sujeito “reciclado”, simplesmente não-livre.

Não é só um “toque de amigo”, é a utilização da autoridade masculina e, obviamente, não se trata somente de uma relação individual, não é culpa do rapaz, apesar dele ser responsável imediato, nem culpa da moça em aceitar a autoridade, caso aceite – é um fenômeno social e somente neste âmbito pode ser resolvido. Óbvio que não significa que devemos esquecer dos atos em âmbito individual, também é necessário negação da ordem neste âmbito.

Apesar deste comentário, o que me deixou também muito interessado foram os comentários da mulher, amiga dele. Ela dizia, “hoje penso primeiramente em mim, depois na família, depois nas outras pessoas. Se tá tudo bem pra mim, aí eu vejo se posso fazer alguma coisa pelos outros. Já cansei de levar os outros em consideração e a mim por último”. Ou seja, ela “começa a se perguntar com maior frequência “o que eu ganho com isso” e exigir mais resolutamente dos parceiros e de todos os demais que lhes deem “mais espaço” – ou seja, manter-se distanciados e não esperar, totalmente, que os compromissos assumidos durem para sempre”.

É a demonstração de como os relacionamentos, sejam eles de afetividade, econômicos e etc, são cada vez mais líquidos e que seus participantes são cada vez mais individualistas e… inseguros. O outro já é um inimigo, nunca uma esperança. Ou melhor, o outro já assume seu papel de mercadoria, que pode ser tratado como um ser dispensável. No fim, não há mais relacionamentos, mas sim, conexões – fáceis de serem quebradas, supostamente leves e libertadoras.

Dentro dessa conversa, já é possível ver a união do novo e do antigo, uma coexistência do patriarcado enferrujado e da liquidez moderna, no entanto, essa união é das pontas nojentas da modernidade e da, digamos, antiguidade.

Não é esse o cenário brasileiro, como um todo? Uma política econômica liberal se estreitando com uma moral de viés conservador?

Zona da Amizade, Troféu e Conquistador

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Quantas vezes, depois de um tempo xavecando alguém, um cara chega pros amigos e diz, “Porra, virei amigo, fodeu!”??? Inúmeras. Essa zona da amizade é assunto tenso, sempre evitada [a zona], já que é ela que termina com qualquer chance de algo mais, o importante não é se relacionar com alguém, mas sim alvejar a moça.

Eu acredito que, por trás dessa reclamação, até mesmo fuga do aterrorizante da zona da amizade, há “boa” e velha maneira machista de viver. Repare, esse termo foi usado, no primeiro parágrafo, com o agente sendo masculino, exatamente por que esse é um termo imputado ações do típico homem. Até mesmo quando mulheres utilizam o termo, ele ainda está na cobertura das ações masculinas, ou seja, quando ela é ativa. O termo não foi resignificado, foi utilizado normalmente, manteve seu significado, a mulher que acaba sendo julgada, por conta disso, da perspectiva histórica do homem.

Eu creio que, por trás da zona da amizade existe a concepção da mulher como troféu e, desta concepção, a passividade feminina. O troféu é aquilo que você luta para conquistar, batalha para conseguir, enfrenta outras pessoas, enfim, compete. O problema é que não há nada de heroico e bravo nisto… Principalmente quando definimos outro sujeito como passivo. Ela será conquistada, será uma vitória para o homem.

Até aqui, pode parecer que há uma vantagem social feminina, afinal, lutam por elas, mas, muito pelo contrário, é aí que reside a desigualdade social, política e econômica que tanto as feministas lutam contra – óbvio, desigualdade essa onde o homem acaba saindo privilegiado em todas as categorias de análise. Por quê?

Enquanto a mulher for enfiada no ideal de delicada, recatada, detentora de boas maneiras, acolhedora e etc, nós devemos contextualizar toda e qualquer classificação nestes pressupostos. Não dá pra formar um novo pressuposto só para modificar o significado de uma ação, o que se faz é exatamente o contrário. Toda mulher precisa ser uma virgem Maria.

Entretanto, a posição da mulher neste tipo de relação é a objetivo – objeto – a ser alcançado. Ou seja, se esquecermos do fator histórico, ela fica numa posição superior! Afinal, ela que poderá escolher o felizardo a passar os dias ao seu lado. O homem seria, então, aquele que prova à todo custo, ser digno do amor da mulher (ou de uma trepada, como queira). Porém, quando se admite o fato histórico, a visão muda. As características sociais impressas na mulher (e que a faz ser mulher), quando imputadas, reformulam essa relação. Ela vira de ponta-cabeça.

A mulher se torna, na verdade, o objeto passivo a ser alcançado, o troféu e, como todo troféu, as glórias são do conquistador. Para onde vamos? Se a zona de amizade é o local onde os homens não conseguirem alcançar seu objetivo, conquistar eu troféu, então o próprio termo é de cunho machista. É fruto de relações homem vs mulher onde esta aparece sob posição social inferior.

FEMEN, Protestos e Valor Subversivo da Nudez

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O FEMEN é um grupo autodenominado feminista, criado na Ucrania e que costuma realizar protestos de topless.

Antes de tudo, vou comentar sobre dois casos onde também houve a nudez como protesto. Primeiro com a Geyse Arruda. Vocês lembram de o que houve com a menina depois da aparecer com um vestido curto na faculdade? Ela foi quase linchada do local, foi necessário chamar a polícia para tirá-la de lá, ela foi alvo de violência gratuita pelos alunos da UNIBAN. Depois do acontecido, a moça ainda foi expulsa da faculdade! Como contraposição, os estudantes da UnB tiraram a roupa em protesto de apoio à Geyse Arruda.

Segundo, o Slutt Walk, em Toronto. O Slutt Walk aconteceu após um policial reclamar que as mulheres deveriam se vestir melhor se não quisessem ser estupradas. Partindo do ditado “para ser respeitado é necessário se fazer respeitar” – ou seja, se você quiser ser respeitado, seja cristão, hetero e branco. O protesto aconteceu com as mesmas características: mulheres nuas protestando sobre a maneira de se vestir. Em outras palavras, a culpa não é do vestido, a culpa é do estuprador!

Os dois protestos tiveram sua localidade no contexto. Ou seja, os dois protestos foram claramente contra uma normativa social repressiva a respeito não das roupas, mas da roupa como pressuposto de respeito à integridade física e moral. Dois protestos perfeitos, na minha visão. Ambos subverteram a própria repressão, utilizam dela para jogar a crueza da ilógica contida no discurso, em seus próprios reprodutores. Perfeito!

Agora o FEMEN, em qualquer protesto, qualquer um, as protestantes tiram a roupa, tudo isso sob a desculpa de “ser a única coisa que elas têm”  e sob a falsa antimoral burguesa de que “não deveria ser estranho ficar sem roupa”. Os dois argumentos básicos são impotentes, já que o primeiro confirma a objetificação da mulher e o segundo desloca o contexto histórico-social e dá aval pra existência do primeiro. Dizer que deveria ser normal ficar sem roupa é algo que todos nós dizemos, sabemos que se trata de norma social, porém, há um significado simbólico em tirar a roupa, tirar a roupa em um protesto contextualizado e (por consequência) subversivo e tirar a roupa por que o corpo é a “única coisa que temos”.

Ainda é interessante reparar em quais mulheres estão protestando no FEMEN… Loiras, magras de corpos completamente dentro do padrão vigente de beleza. Elas são as modelos perfeitas da Europa, quero dizer, a subversividade do movimento está em colocar mulheres completamente aceitas pelo padrão social de beleza, de topless, em qualquer tipo de manifestação, contra qualquer proposta, sob o pretexto de que aquilo é a única coisa que têm como forma de subversão.

Eu creio que o protesto gera exatamente o oposto, queima o filme do feminismo. É difícil não deduzir que a presença dos fotógrafos em massa existe pela nudez de mulheres bonitas. Só. Como um movimento feminista objetiva o próprio corpo e “coincidentemente” realiza manifestações somente com moças que poderiam ser candidatas à miss Ucrânia? E tudo isso sobre o pretexto falso de que “só temos nosso corpo”.

Não contextualizar a afirmação (que eu concordo) “Não há nada errado em mostrar os seios na rua” é esquecer que se vive em uma sociedade, onde as relações são mediadas por símbolos e que, em âmbito individual, achar que não há nada de errado é uma ação sem controle social, porém, não existe a garantia de que, ao avistarem o sujeito na rua, vão saber de suas convicções para tal ato. No protesto, por exemplo, será reconhecido o significado simbólico da nudez como birra, sem sua profundidade simbólica demonstrada na UnB ou em Toronto. A afirmação acima, então, abre espaço pra afirmação “só temos nosso corpo”. Quando a moça diz que só tem o corpo, o coloca na mesma função do dinheiro, dos contatos políticos e etc. Quase como uma arma. Porém, essa funcionalidade é subvertida pela descontextualização do próprio protesto – o protesto com nudez é banalizado (no sentido de perder sua profundidade simbólica).

Há o mesmo reconhecimento dos protestos da UnB, em Toronto e das mulheres do FEMEN? Eu creio que não, por conta disso, a nudez se torna legitimada socialmente (como contraposição ao aparelho repressivo) nos dois primeiros, demonstrando sua subversividade e rompimento com o significado social comum, para um novo significado, uma simbolização de violência contra os preconceitos sociais, contra o Estado atual, contra a ideologia hegemônica.

Homem Estuprador, Poder e Gênese do Masculinismo

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Se um sujeito nasce, cresce, em suma, vive num ambiente de linguagem completamente machista, onde o homem é o dominador, o agente ativo, aquele que delimita as ações dos outros, aquele que tem o poder de fazer o mundo sua imagem, há como fugir completamente disso? Mesmo sendo conscientemente contra tais coisas, contra tais relações de poder, há como ser completamente imune?

Eu, realmente, não sei responder essa questão… O grande problema é que, logo após pensar sobre isso, me veio outra questão clássica, que era quase risível, que comumente é feita por pessoas extremamente idiotas: todo homem é um estuprador em potencial? Se pararmos para ouvir os papos neutros da galerinha da sauna, percebemos que sempre alguém vem com aquela velha ideia da pílula do esquecimento.

Se você desse uma pílula do esquecimento para uma mulher, onde ela não se lembraria de nada que aconteceu e você, por consequência, nunca seria pego por violação nenhuma, você a estupraria? Você cometeria estupro se não houvesse possibilidade de ser pego? – Esse é o conceito da pergunta. E aí, estupraria?

A pergunta parte de um pressuposto de que todo homem já é um estuprador, só que controlado. Todo homem é um estuprador em potencial, porém, com as normas repressivas, não cometem tal ato. Eu sempre achei uma ideia meio idiota – como podem partir do pressuposto de que já somos estupradores?

Porém não consigo achar tão idiota assim, agora.

Se o sujeito assimila uma linguagem na qual ele é o poderoso, na qual somente ele pode ser estuprador e, por convenção heteronormativa, nunca estuprado. Como considerar que ele não será (ainda) um estuprador reprimido socialmente?

Essa é minha pergunta e eu peço pra que respondam, por favor, pois eu queria muito conversar sobre isso. Partindo dessa lógica, o homem seria já um estuprador que se controla pra não realizar o ato, o que não impede a existência do conceito já assimilado. Ou seja, o homem sabe que é poderoso, que é agente ativo, mas tem o bom-senso, a amabilidade, de não exercer seu privilégio.

Não seria essa uma contradição da sociedade atual, onde há o significado simbólico da superioridade masculina, porém, também há repressão formalizada em forma de leis e sanções morais caso o ato seja realizado? Você pode ser um estuprador, pode saciar essa vontade supostamente animal, você tem esse poder, mas, caso o faça, será punido gravemente.

Será essa a fonte do masculinismo, exigindo a supressão das atividades que expressem a mulher como sujeito ativo e, desta maneira, as mantendo de forma passiva, onde não há o desafio do estupro, pois ele é natural, acontece nos pequenos atos e na totalidade da relação, onde há a passividade absoluta da mulher e a atividade absoluta do homem? Agora ele sente que tem o poder, sente que pode utilizar (o estupro) e que não precisa do estupro (o significado popular, sexo e dominação, sem consentimento). Ou seja, sua dominação já está saciada, sua suposta animalidade já está afirmada. O estupro é cotidiano e contínuo, não há necessidade do estupro na forma de sexo e dominação.

Simone de Beauvoir, Política Corrupta e Violência Simbólica

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Ontem, uma mulher e sua filha foram mortas no Afeganistão por homens armados, sob a acusação de atividades imorais e adultério, porém, a mulher era viúva. No Afeganistão, 87% das mulheres já sofreram algum abuso por parte de homens, seja violência (física, psicológica ou sexual) ou casamento forçado.

Basicamente, caso você tenha vagina, você será um sujeito inferior.

Isso me faz lembrar da declaração de Simone de Beauvouir, sobre os negros nos Estados Unidos, onde, ao perceber que os americanos tentavam fazer descobertas científicas para provar a inferioridade negra, ela declarou, “Isso não é necessário, basta andar nas ruas”. Nem preciso dizer que a mesma foi altamente mal interpretada em relação à essa frase.

Sem muitas explicações, a mensagem da frase é: se você é simbolicamente inferior, reconhecido como tal e se reconhece como tal, então você é inferior. Não significa que objetivamente essa inferioridade seja verdadeira. Ela é simbólica, mas, enquanto existir, enquanto for reconhecida pela “vítimas”, continuará sendo hegemônica… Continuará sendo verdade. Eu coloco aqui a mesma coisa para a questão do patriarcado e suas consequências.

Já fiz um post sobre cliotoridectomia e perguntava, no fim do texto, como seria possível uma articulação de liberdade, quando, na sociedade respectiva, não há nem mesmo o conceito de liberdade? Como protestar pela humanidade da mulher, quando as mulheres não são nem conceituadas como seres humanos de iguais direitos aos homens? Como articular uma argumento quando não se tem linguagem necessária para isso?

Então, reformulo a frase supostamente racista da Simone de Beauvouir: por que tentam, a todo momento, demonstrar uma inferioridade da mulher, por meio de comerciais, piadas, novelas, filmes e etc? Basta andar nas ruas que você perceberá isso. Mas, o que isso significa? Que a suposta inferioridade feminina está incrustado na linguagem.

Esse modo de reconhecimento de massa e etc, também está incluso em outro assunto de suma importância: a política. A política é comunicada como ruim, é reconhecida como ruim, os políticos são tidos como a política personificada, logo, defender algo que envolva assuntos políticos se torna ingenuidade, imaturidade, afinal, “Não está vendo toda essa corrupção?”. Dentro deste contexto o apolítico tem sua posição firmada.

Entretanto, o apolítico é a política ideológica vigente sendo reproduzida de maneira absurda.

Comercial da Coca-Cola, Ideologia e Masculinismo

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A Coca-cola lançou um comercial novo, tendo como fundo o seriado Descolados, que era da MTV e foi vendido para a Band. Eu só assisti esse comercial na Band, creio que não passa em outros canais. Quando eu comecei a ver o comercial, fui percebendo as jogadinhas publicitárias para associar o nome da Coca-Cola com determinadas maneiras de ser, porém, ao fim da festa ideológica, já estava totalmente em outra vibe.

O seriado Descolados mostra a vida de três pós-adolescentes (dois rapazes e uma moça) com mais de vinte e menos de vinte e cinco anos. Só isso é necessário saber…

Vamos ao comercial em si: começando com a moça cozinhando, de repente os rapazes entram discutindo, os dois com opiniões firmes, eis que um fala “Prefiro ficar sozinho com minhas convicções do que pertencer a massa” (ou algo assim) e a latinha de Coca é focada, depois a moça avisa que eles estão fazendo barulho demais, e que ela está fazendo macarrão, mas que, por haver outros convidados, o prato não seria só um macarrão, seria um evento social, e uma garrafa de Coca é focada.

Chega a hora de pedir opinião à moça, que apazigua a situação, tentando chegar em um meio termo e, após ser afrontada por ficar em cima do muro, pega o copo de coca da mão de um dos rapazes e demonstra sua autoridade.

São três momentos onde a Coca-cola é associada a alguma maneira de ser ou estilo de vida: ser convicto, ser social, ser autoridade. Mas, depois de realmente entender o comercial, me toquei que isso é só masturbação intelectual, a análise interessante está abaixo.

  • Esse comercial é perfeitamente machista.

Logo de início a imagem da mulher cozinhando é mostrada, o que pode não revelar nada, mas que tende a demonstrar a figura feminina como a dona do lar, enquanto os homens são os pensadores, são aqueles que fazem a política e que debatem os assuntos sociais (simbolizado pela entrada dos dois rapazes discutindo um determinado assunto com convicção), após alguns segundos de comercial.

Então, ao ser perguntada sobre o assunto, a moça apazigua a situação, ficando em cima do muro. Demonstrando incapacidade de ter convicção em um ponto embasado e inflexível. A mulher é retratada como o ser dócil, que entende, que compreende e que cuida do bem-estar.

Em seguida, ao levar deboche sobre o ponto de vista sem convicção e totalmente apático, ela expressa sua autoridade, expulsando os rapazes da cozinha e ficando com o refrigerante, o problema é que sua autoridade é NA COZINHA. Não é no debate, mas sim no lar.

Isso é ideologia. Exatamente por pegar algo que não foi pensado, que foi expressado do jeito mais puro, que a análise se torna rica e demonstra a verdadeira ideologia, demonstra aquilo que estava na entranhas dos autores e, como os autores são sujeitos sociais, como são produtos de seu meio e etc, demonstra a ideologia (ou uma contraideologia, caso fosse subversivo). A parte pensada, aquilo não interessa. Aquilo é segundo plano para a verdadeira crítica, o que interessa são as ações tomadas como naturais, aquilo que é feito e que não se questiona ação.

Caso a ideologia seja realmente questionada, seja realmente pensada, haverá uma luta contra a mesma. Isso é básico, já que, sabendo o que nos domina, podemos tentar destruir essa relação de dominação. As ações totalmente ideológicas não pensadas, não são questionadas, o masculinismo é um exemplo.

Masculinismo é a tentativa da afirmação de determinados conceitos já consagrados, porém, em decadência. Basicamente os masculinistas não pensam, não questionam a sociedade atual, eles criam conceitos para afirmar velhos hábitos. Todos os seus supostos questionamentos são dentro do contexto ideológico e os leva, naturalmente, a conclusão de que esses hábitos antigos estão com razão.

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