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Morre Hugo Chávez – Que Será Da Venezuela?

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Uma Perda De Referencial

Morre hoje o então presidente da Venezuela Hugo Chávez – uma morte surpresa, afinal, após o tratamento de seu câncer no pélvis, tudo parecia resolvido, inclusive com declaração do próprio Chávez após a quimioterapia.

Com 58 anos de idade, ele foi, conforme fala de Zizek: “Todos amam as favelas e os marginalizados, mas poucos querem vê-los mobilizados politicamente. Hugo Chávez entendia isso, agiu nesse sentido desde o começo e, por este motivo, deve ser lembrado”. Isso significa que Chávez viu nos marginalizados o novo “proletariado”, ou seja, a nova classe revolucionária, o novo sujeito histórico, os novos despossuídos não são mais os operários da indústria, mas sim os favelados e marginalizados.

Comentários Gerais

Conforme não era novidade, afinal de contas, isso nunca é novidade, o Jornal Nacional chamou um de seus intelectuais de plantão para comentar a morte de Chávez e o futuro da Venezuela. Demétrio Magnoli foi bem direto e claro ao dizer que “A Venezuela não chega a ser uma ditadura, mas não é uma democracia”.

Eu estava sendo irônico, é claro. Bom, uma ditadura não tem eleições diretas, certo? Então não é uma ditadura. Eu creio que é difícil falar em democracia, pois a democracia é algo intrincado com preceitos do liberalismo. Dizer que a Venezuela não é uma democracia é dizer que ela não é uma democracia nos moldes liberais. Isso, realmente ela não é.

Lobão foi um arauto da felicidade anarco-capitalista adolescente: “Chávez está morto.” Provavelmente seguido de um pulo de felicidade e gritos de satisfação. Suas rezas estão começando a funcionar.

O Destino Escapa

Ele foi eleito e re-eleito por 4 vezes, conseguiu mudar a constituição com apoio popular e se safou de um golpe de Estado, em 2002 – Não dá pra saber se lá havia a figura do líder de massas ou o representante de um grupo cônscio de seu papel político e com apoio manifesto a um projeto socialista. O futuro da Venezuela é imprevisível.

A única coisa que podemos esperar, por enquanto, é que seus eleitores tenham sido agentes políticos, com motivações claras e projetos claros e que, por isso, sejam reais apoiadores e sonhadores de uma sociedade que supere o capitalismo.

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Morre Steve Jobs, Ficam o Fetichismo pela Maçã e o Capitalismo Zen

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Morreu na quarta-feira Steve Jobs, o super-homem da Apple e criador de diversos produtos que nós não precisamos, mas compramos. Basicamente, após a morte dele, vários comentários foram feitos,vou colocar alguns exemplos no post e depois comento a respeito, mas, somente um me deixou bem cabrera (todos tirados do site da Folha).

“Obrigado por mostrar que o que construímos pode mudar o mundo. Vou sentir a sua falta.” – Mark Zuckerberg

“Estou verdadeiramente entristecido ao saber da morte de Steve Jobs. Melinda [mulher de Gates] e eu estendemos nossas sinceras condolências a sua família e a seus amigos, e para todos que Steve tocou ao longo de seu trabalho”, disse Gates. “Steve e eu nos conhecemos há cerca de 30 anos, e fomos colegas, concorrentes e amigos ao longo de mais de metade de nossas vidas.” – Bill Gates

“mudou o modo como cada um de nós vê o mundo”, o que disse ver como “um dos feitos mais raros da história da humanidade”.

“Steve estava entre os maiores inovadores americanos –corajoso o suficiente para pensar diferente, ousado o suficiente para acreditar que ele poderia mudar o mundo e talentoso o suficiente para fazê-lo” – Barack Obama

Antes de tudo é interessante ver o culto que foi feito em torno dele. Até seu modo de se vestir é apreciado… Caso ele fosse mais um analista de sistema, seria taxado de vagabundo, mas, como é um empresário de sucesso, ele mostrou que “pode” usar uma roupa diferente, ele se torna a autoridade despojada, mas, ainda autoridade. Ele é o exemplo perfeito do Capitalismo Zen, onde o stress de um mundo cheio de reuniões e demissões é deixado de lado e considerado um apego não legítimo com uma realidade que, na verdade, não existe.  A indiferença com o que acontece após as decisões que desempregam milhares de operários, ou ao saber que seus fornecedores utilizam mão-de-obra escrava e etc, é o complemento ideológico perfeito.

E é muito legal ler Bill Gates o relacionando como amigo e concorrente, ou seja, separando a vida profissional com a vida pessoal. Separa o sujeito em dois, como se tivesse duas consciências separadas. hoje em dia, as características negativas de chefe são consideradas um fardo a ser carregado para o bem da empresa, não uma atitude opressora, autoritária e etc. “Quando está na empresa, ele precisa se comportar como chefe, mas não significa que ele realmente seja assim”, é verdade que o indivíduo acaba se representando de formas diferentes em lugares diferentes, porém, sua vida ainda é uma só e ele acaba sendo influênciado (e acaba sendo influência) por tudo, a qualquer momento e em todos os momentos.

A grande sacada é botar a culpa nos empregados quando estão trabalhando mal por que brigaram em casa. Separe sua vida, seria a solução, mas ela não existe. É ilógica. Assim como o modelo de capitalismo de Bill Gates e suas ações “em casa”, quando ele pode mostrar seu lado humanitário.

B. Gates é a representação do capitalismo de face humana, como já postei aqui, sua declaração só reforça a ideia de que, apesar de concorrentes, fora da empresa somos amigos, queremos o bem um do outro, e, fazer o que, o capitalismo é assim, temos que concorrer e ainda bem que concorro com um grande amigo.

Obama e Zuckerberg expressaram opiniões de quem deve falar algo, mas não tem nada a falar. Se não tem o que falar, manda uma do tipo, “Obrigado, meu amigo, você foi inovador e criativo!”. Que criou vários objetos de consumo e que moldou o desejo dos consumidores. A Apple é considerada modelo por que inventou uma necessidade e a explorou.

O que nós precisamos saber, é que tudo que foi criado por Jobs, no fundo, era um objeto de desejo não reivindicado. Todos eles são somente objetos tecnológicos, mas que, não passam de suas funcionalidades genéricas. Eu digo, pois, é intrigante chamarem o iPod de iPod e não de Player, ou de MP3 (mesmo sabendo que não roda .mp3), ou chamarem o iPhone de iPhone, não de celular. É como a Nike… Não é um tênis, é um Nike.

A mercadoria se tornou única, objeto pedestalizado de consumo, é o fetiche em seu maior grau e também a demonstração óbvia de alienação.

Mas, e agora, como proceder? Como combater? Entramos em uma contradição para concluir o pensamento:

  • Se comprarmos outro celular, estaremos alimentado o liberalismo, fortalecendo as concorrências e etc.
  • Se boicotarmos, será um boicote fraco e puramente ególatra. A industria não vai sentir em nada.
  • Se comprarmos Apple, estaremos ajudando na formação de um monopólio.

Parece que não temos saída, que sempre seremos escravos (ou qualquer clichê), entretanto, não seria o monopólio uma maneira de acabar com outras empresas e, ao mesmo tempo, centralizar a luta? Eu quero dizer, o monopolista é aquele que dita como deve ser, logo, teríamos um inimigo muito mais fácil de avistar, não? O ser totalitário perfeito, que comanda como tudo funciona e que tem todo o poder em suas mãos.

 

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