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Comercial da Coca-Cola, Ideologia e Masculinismo

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A Coca-cola lançou um comercial novo, tendo como fundo o seriado Descolados, que era da MTV e foi vendido para a Band. Eu só assisti esse comercial na Band, creio que não passa em outros canais. Quando eu comecei a ver o comercial, fui percebendo as jogadinhas publicitárias para associar o nome da Coca-Cola com determinadas maneiras de ser, porém, ao fim da festa ideológica, já estava totalmente em outra vibe.

O seriado Descolados mostra a vida de três pós-adolescentes (dois rapazes e uma moça) com mais de vinte e menos de vinte e cinco anos. Só isso é necessário saber…

Vamos ao comercial em si: começando com a moça cozinhando, de repente os rapazes entram discutindo, os dois com opiniões firmes, eis que um fala “Prefiro ficar sozinho com minhas convicções do que pertencer a massa” (ou algo assim) e a latinha de Coca é focada, depois a moça avisa que eles estão fazendo barulho demais, e que ela está fazendo macarrão, mas que, por haver outros convidados, o prato não seria só um macarrão, seria um evento social, e uma garrafa de Coca é focada.

Chega a hora de pedir opinião à moça, que apazigua a situação, tentando chegar em um meio termo e, após ser afrontada por ficar em cima do muro, pega o copo de coca da mão de um dos rapazes e demonstra sua autoridade.

São três momentos onde a Coca-cola é associada a alguma maneira de ser ou estilo de vida: ser convicto, ser social, ser autoridade. Mas, depois de realmente entender o comercial, me toquei que isso é só masturbação intelectual, a análise interessante está abaixo.

  • Esse comercial é perfeitamente machista.

Logo de início a imagem da mulher cozinhando é mostrada, o que pode não revelar nada, mas que tende a demonstrar a figura feminina como a dona do lar, enquanto os homens são os pensadores, são aqueles que fazem a política e que debatem os assuntos sociais (simbolizado pela entrada dos dois rapazes discutindo um determinado assunto com convicção), após alguns segundos de comercial.

Então, ao ser perguntada sobre o assunto, a moça apazigua a situação, ficando em cima do muro. Demonstrando incapacidade de ter convicção em um ponto embasado e inflexível. A mulher é retratada como o ser dócil, que entende, que compreende e que cuida do bem-estar.

Em seguida, ao levar deboche sobre o ponto de vista sem convicção e totalmente apático, ela expressa sua autoridade, expulsando os rapazes da cozinha e ficando com o refrigerante, o problema é que sua autoridade é NA COZINHA. Não é no debate, mas sim no lar.

Isso é ideologia. Exatamente por pegar algo que não foi pensado, que foi expressado do jeito mais puro, que a análise se torna rica e demonstra a verdadeira ideologia, demonstra aquilo que estava na entranhas dos autores e, como os autores são sujeitos sociais, como são produtos de seu meio e etc, demonstra a ideologia (ou uma contraideologia, caso fosse subversivo). A parte pensada, aquilo não interessa. Aquilo é segundo plano para a verdadeira crítica, o que interessa são as ações tomadas como naturais, aquilo que é feito e que não se questiona ação.

Caso a ideologia seja realmente questionada, seja realmente pensada, haverá uma luta contra a mesma. Isso é básico, já que, sabendo o que nos domina, podemos tentar destruir essa relação de dominação. As ações totalmente ideológicas não pensadas, não são questionadas, o masculinismo é um exemplo.

Masculinismo é a tentativa da afirmação de determinados conceitos já consagrados, porém, em decadência. Basicamente os masculinistas não pensam, não questionam a sociedade atual, eles criam conceitos para afirmar velhos hábitos. Todos os seus supostos questionamentos são dentro do contexto ideológico e os leva, naturalmente, a conclusão de que esses hábitos antigos estão com razão.

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